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55+, a rede que quer aproximar os seniores do mercado

55+, a rede que quer aproximar os seniores do mercado

Plataforma agrega prestadores de serviços com mais de 55 anos, desempregados ou reformados, mantendo-os ativos

22.02.2019 | Por Cátia Mateus


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Portugal tem cerca de 3,5 milhões de cidadãos com mais de 55 anos, dois quais mais de 2 milhões estão inativos. Apesar de, nos últimos anos, o número de profissionais seniores entre a população empregada estar a aumentar, o envelhecimento da população, a inatividade e a solidão e isolamento dos mais velhos são uma realidade social que não é possível ignorar. Elena Durán sentiu-a na pele quando o pai se reformou aos 60 anos, depois de mais de três décadas como diretor de uma escola primária, e não conseguiu encontrar no mercado uma segunda oportunidade de carreira que lhe permitisse manter-se ativo. A filha arregaçou as mangas e criou o projeto 55+, uma plataforma que devolve os seniores ao mercado.
 
O conceito é simples. “A plataforma 55+ liga pessoas com mais de 55 anos, em situação de reforma ou de desemprego, que querem manter-se ativas e que pela sua experiência podem prestar serviços de qualidade a outras pessoas, de qualquer idade, que deles necessitem”, explica Elena Durán, que há dez anos trocou Espanha por Portugal para viver e trabalhar. Formada em Gestão e Marketing, Elena foi quadro da Unilever durante oito anos. Dedica-se agora à plataforma  55+, que desde outubro do ano passado já agrega mais de 100 prestadores de serviços.
 
A 55+ funciona como se de uma rede que liga profissionais ao mercado se tratasse e disponibiliza serviços como cozinha ao domicílio, jardinagem, petsitting, aulas de música, babysitting, acompanhamento de seniores e pequenas reparações domésticas, entre muitos outros. “Importa-nos facilitar o dia a dia dos clientes que nos procuram, promover o envelhecimento ativo dos nossos profissionais, mas também fomentar estas interações geracionais”, diz Elena Durán. Utilizar os serviços desta comunidade requer apenas o acesso à plataforma, disponível online em www.55mais.pt, e a escolha dos serviços disponíveis. “A 55+ faz a ponte com os especialistas mais adequados a cada situação e sugere sempre vários perfis aos clientes, para que estes escolham o que mais lhe agradar”, explica a mentora do projeto, que recorda que a plataforma oferece aos profissionais inscritos a possibilidade de realizar serviços pontuais e não ter vínculos permanentes. “O rendimento de cada prestador de serviços é calculado com base no serviço realizado e nas horas despendidas e está tabelado com base nos valores praticados no mercado”, revela Elena Durán, adiantando que os valores poderão variar entre €6 e €16,50 por hora. No momento da inscrição, os prestadores tomam conhecimento dos valores e dos possíveis suplementos a aplicar, como, por exemplo, se for necessário utilizar carro num certo serviço.
 
Inovação de âmbito social
Desde que foi criado, o projeto 55+ foi já alvo de várias distinções, pelo seu impacto na promoção do envelhecimento ativo. A plataforma de Elena Durán foi selecionada para participar no GOVTECH, um concurso promovido pelo Governo português que premeia serviços e produtos inovadores que se enquadrem nos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas. O projeto foi também um dos três finalistas do Programa de Apoio a Empreendedores Sociais, promovido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), ganhando mentoria e acesso à nova incubadora da SCML, a Casa do Impacto.
 
Elena Durán investiu €60 mil no arranque do projeto 55+. Os serviços da plataforma estão, nesta fase, apenas disponíveis em Lisboa, mas o objetivo de Elena é “escalar para todo o país”, ainda que não não esteja equacionada uma expansão rápida. “Importante é que os serviços que disponibilizamos sejam de qualidade”, garante a empreendedora. A curto prazo, Elena Durán está focada em consolidar a operação na região da Grande Lisboa e só posteriormente abordar o mercado nacional. “O objetivo final é chegar a todas as pessoas que queiram e precisem de uma plataforma como a 55+, sejam elas seniores que querem manter-se ativos como prestadores de serviços ou clientes que necessitem dos serviços disponibilizados.” O retorno do investimento só está previsto para o terceiro ano de atividade, mas a empreendedora afirma que o retorno emocional de percecionar o impacto social da iniciativa já é real.


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